Ética na mesa

Atualizado: 30 de out. de 2020


Se tem um conceito que merece ser colocado em toda mesa de discussão e negociação, esse conceito é a Ética.

Por definição, ética é uma parte da filosofia que estuda os princípios que orientam o comportamento humano. Mas considerações filosóficas à parte, o que chama nossa atenção é que existe uma revolução silenciosa acontecendo e ela vem das bases, do consumidor. A discussão sobre a ética nas empresas é antiga e provavelmente essa palavra faça parte do texto que compõe o lindo quadro que enfeita a sala de espera da maioria das organizações e que descreve a sua missão. O que mudou então? Eu diria que um minúsculo e implacável virus teve a ousadia de aparecer e desafiar o status quo.

O Coronavirus precipitou o que já era iminente, a discussão em torno das grandes questões da humanidade: repensar o trabalho, a valorização do ser humano e a sua saúde integral, os enormes desafios ambientais e as relações comerciais. De uma hora para outra, as empresas precisaram tomar decisões que não tinham precedentes para serem consultados e tomar como base. Muitas agiram impulsionadas por seus preceitos éticos, já outras...

Seja como for, elas sabem que serão julgadas por isso – para o bem ou para o mal.

Existem dados que mostram que essa revolução silenciosa em torno de valores éticos e que cobra uma nova postura de todos (principalmente do segundo setor) está na sua curva crescente. A RepTrack, é uma organização que mede a reputação das empresas perante consumidores levando em conta sete critérios: produtos e serviços, inovação, ambiente de trabalho, governança, cidadania, liderança e desempenho. Tradicionalmente, as expectativas do consumidor sempre se concentravam no item “produtos e serviços”. Porém, depois da pandemia a atenção começou a ser desviada para o comportamento e as atitudes adotadas pelas empresas, o que mostra o interesse em posicionamentos mais coerentes com os novos desafios, posicionamentos mais éticos.

Muito se fala em futuro do trabalho e os impactos que a tecnologia da quarta revolução industrial trará. Para nós, toda essa discussão é positiva e necessária. Porém, ela só será produtiva se entrar na equação a ética como base de qualquer atitude. O movimento é lento, mas sólido e já existem empresas com essa visão muito clara que inclusive criaram cargos de Diretor e Gerente de Ética. Elas se preparam para o irreversível: uma convivência harmônica entre tecnologia e o que temos de mais humano em nós, dentro de um cenário de total instabilidade.

A sua empresa discute novas e éticas formas de comportamento? Comece agora! Provoque, estimule, repense, execute. Coloque a ética na mesa!