• Iraci Saviani

Encontro na arte e na vida

O indivíduo, ser integrante da natureza, troca com ela energias e as modifica, transforma, expressando a si mesmo e às suas relações em seu jeito de ser e em sua produção artística. O estilo pessoal na vida e na arte, expressa a consciência em vários níveis, desde mortes, transformações e crescimento no reviver.


Segundo Alan Oken, estamos num ponto de mutação na evolução da humanidade, onde a autoconsciência é uma prioridade. Quanto maior a percepção do ser, tanto maior a consciência do potencial de energias disponíveis e tanto maior a possibilidade de avanço e evolução. Onde há evolução não há estagnação, acomodação. Quando o indivíduo se expressa em arte, tem a possibilidade de estar mais consigo mesmo, voltando-se para a sua profundidade interior e assim caminhar para maior e mais profunda consciência de si e de tudo que o envolve, situando-se num todo maior.


Assim sendo, a arte deve ser trabalhada de forma abrangente, abrir caminhos para o experimento de múltiplas possibilidades e materiais, transformando estímulos interno e externo, em atitudes que oferecem contato com a natureza criativa e divina de cada ser. À medida que se entra em contato, estuda e faz arte, a percepção se abre e os sentimentos mais profundos vêm à tona. As sensações, as emoções, as imagens se configuram em símbolos: um novo olhar, um novo escutar, um novo sentir se desvenda a partir do diálogo com esses símbolos, e assim, o processo transcorre mais aberto e mais fluído.





O pensamento atua num pensar criativo, desconstruindo e construindo, do caos ao mais organizado, trazendo o intuitivo, subjetivo, em busca da autenticidade. Neste movimento há um fazer, desfazer, mudar, colocar, tirar, transformar, caotizar, harmonizar, recriar com possibilidades de percepções mais plenas, de dentro para fora e de fora para dentro. Um concretizar no fazer surge, e surge concretizando tudo o que for possível de ser concretizado – o ilimitado mundo das ideias, dos sonhos, das fantasias, do virtual dentro do real, do limite do possível, desde que realizável dentro da linguagem artística com que se está lidando.


Para isso se faz necessário o conhecimento e pesquisa do material empregado - embate que pede uma solução no fazer. O ilimitado e o limitado se combinam, dialogam para trazer à tona a expressão da matéria, gestos, sons, movimentos, palavras, cores, formas. Ação criativa, pausa. Afastamento para diálogo com a obra em execução, observando-a com um olhar sensível, como quem observa de fora, contempla-se para que a obra passe toda a energia nela depositada até então. Olhar de análise, percebendo nesse contato, produtor-obra, se há necessidade de completar ou se a composição já é a desejada. Se o indivíduo realmente se integrou ao seu processo nasce uma produção artística consciente e harmoniosa que carrega consigo muita percepção, sensibilidade, criatividade, avaliação, trabalho e concretude na linguagem artística.


O processo continua em outras produções e na vida, porque desse trabalho surgem novas ideias e da vida surgem novos estímulos... e o processo continua. Deste contato com o fazer artístico muita coisa dentro e fora do indivíduo também se transformou e se concretizou. Ao expressar-se concretamente na arte, relaciona-se consigo mesmo, entra em contato com processos internos, com sentimentos, sensações, emoções, imagens, concretizando-os em símbolos, formando assim, o seu estilo pessoal e próprio de expressão artística.


A sociedade atual carece de indivíduos mais abertos à mudanças. Indivíduos criativos somam em comunidades mais criativas, consequentemente numa sociedade mais criativa. Criativos e conscientes do papel humano que devem desempenhar, aproveitando suas potencialidades para a construção de valores mais significativos para a humanidade.


Iraci Saviani

Professora da Escola Humana de Vida e Negócios, Mestre em Artes Visuais, Arteterapeuta, professora em Atelier Terapêutico, História da Arte e Criatividade no curso de Especialização em Arteterapia no Instituto Sedes Sapientiae.

Consultora, pesquisadora e palestrante em Criatividade - desenvolvimento de projetos e do processo criativo para grupos privados, empresas e órgãos públicos.

Responsável pelo nosso projeto “Oficinas de Arte como processo de saúde” dentro das corporações.

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