• Patrícia Napolitano

Criatividade e Relacionamentos

"Muitas cabeças pensam melhor do que uma.“, já dizia o ditado. Mas será que se a relação entre as pessoas for cheia de questões mal resolvidas, isso segue valendo? E se a comunicação entre as pessoas de um grupo for fluida, respeitosa, interessada e aberta? Um grupo fundado em relações saudáveis pode ter seu potencial criativo nas estrelas de tão vasto.


Não é novidade que inovação e diversidade andam juntas no mesmo trilho. E é aí que entra a arte do cultivo das relações. Afinal de contas, para aproveitar bem as diferentes perspectivas e chegar às soluções mais brilhantes, é imprescindível cruzar os campos das relações humanas.


A Psicossíntese, linha da psicologia transpessoal fundada na Itália por Roberto Assagioli, tem um olhar bastante interessante da nossa psique e nos conta ser possível encontrar subpersonalidades dentro de cada pessoa. Isso significa, que mesmo quando estamos sozinhos, há uma equipe dentro de nós, com os mesmos desafios de integração, que os grupos da vida externa.


Mundos externo e interno costumam ir se espelhando nas relações, de modo que, se tenho o costume de ser autoritária externamente diante de colegas, é bem provável que exista uma subpersonalidade que se imponha diante do meu time interior e que muitas das possibilidades de contribuição criativa fiquem amordaçadas dentro da minha psique, colocado-me aquém do meu potencial de inovação.


Ao passo que, quando procuro praticar escuta ativa, me abro para ouvir novas visões e pratico uma comunicação baseada em empatia e autenticidade, tenho também dentro de mim, fortes chances de contar com uma equipe de primeira liga, na qual minhas partes percebam que não se trata de decidir qual ideia é a melhor e, sim, de uma conexão genuína com um propósito claro em um campo no qual todas as subpersonalidades possam se reconhecer irmanadas , importantes e insubstituíveis.


Na prática, como seria isso?

Vamos a um exemplo.

Cenário 1: Uma mulher pode reconhecer, por exemplo, em si: sua executiva, sua donzela e sua bruxa sábia trabalhando juntas dentro de si. Num cenário desfavorável, de relações pouco integradas, poderíamos ver uma donzela contemplando a paisagem, avoada e aparentemente pouco engajada na missão criativa, uma bruxa reclamando de seus modos e uma executiva estressada, com medo de perder o prazo de entrega. Clima tenso e pouco criativo.

Cenário 2: partindo da mesma donzela sonhadora, uma velha intuitiva e amorosamente, pergunta a ela o que está vendo. Ao descrever um fenômeno da natureza, ouvida com atenção também pela executiva astuta, a jovem traz o insight perfeito para a habilidade dessa última, que facilmente transcreve em termos pragmáticos uma inovação e, é claro, agradece a colaboração das outras duas.


Assim, não fosse a boa relação entre nossas partes internas, o processo criativo não seria mais do que um momento de stress e desprazer.


Saber se relacionar é, portanto, uma arte de fora e de dentro e ser criativo está intimamente ligado à maestria dessa arte.


Patrícia Napolitano


Comunicóloga, especializada em Administração de Empresas, Facilitadora de Expressão de Potenciais com Psicossíntese e professora da Escola Humana de Vida e Negócios.


patinapolitano@gmail.com

@patricia.criatividade