As pontes nossas de cada dia

Recebi ontem de uma querida amiga um artigo que está circulando na internet assinado por Prakash Iyer que trata o assunto da Ponte sobre o Rio Choluteca, em Honduras. Enormes investimentos foram feitos para a construção dessa ponte, com planejamento minucioso para torná-la resistente às adversidades climáticas que frequentemente Honduras atravessa. Uma gigantesca obra de engenharia que encheu de orgulho os moradores da cidade e, obviamente, os responsáveis pelo projeto. Eis que, no mesmo ano da sua inauguração, o Furacão Mitch chegou a Honduras provocando uma destruição total, com 7000 mortes. O Rio Choluteca transbordou a ponto do enorme volume de água recebido (em 4 dias o total esperado para 6 meses) provocar o desvio do seu curso. A ponte orgulho da cidade ficou isolada, no meio do nada: sem estrada na sua frente nem atrás e sem rio embaixo dela. Nada. Uma obra forte e poderosa transformada num monte de concreto inútil. Iyer finaliza seu artigo trazendo a reflexão para nossa vida atual, apesar do fato ter acontecido há mais de 20 anos atrás: que tipo de ponte estamos construindo para nossa vida, nossa carreira e nossas empresas? Há tempos defendo a ideia de que a única possibilidade de sobrevivência na vida e nos negócios passa pelo desapego à rigidez: menos controle engessado e estrutural e mais abertura ao imprevisível, ao inesperado. Fácil? Não mesmo! É preciso muita coragem, porque evidentemente, essa postura nos deixa cara a cara com a nossa vulnerabilidade. Mas é precisamente dela que virá a força necessária para a transformação.