Arteterapia nas Organizações: Minha Experiência Pessoal


Minha formação inicial foi em Contabilidade, o que me deu experiência de vivenciar por alguns anos o intenso ambiente corporativo, mas também, de perceber que meu interesse já caminhava por outra via.


Hoje sou Mestre em Artes Visuais e Arteterapeuta, há 30 anos pelo Instituto Sedes Sapientiae onde atuo como professora e, na Escola Humana de Vida e Negócios, sou responsável pelo núcleo de Criatividade e Arteterapia nas empresas.


Enquanto cursava a especialização em Arteterapia, acompanhava meu marido como consultor em empresas para desenvolver o tema Criatividade, que ele tanto citava em seu trabalho e livros, como de extrema importância para as organizações e assim, os colaboradores, a força motriz das empresas, podiam despertar para o desenvolvimento do potencial criativo que habita em todos nós.


Nessa época, poucas empresas eram abertas para esse tipo de trabalho, mas com a ajuda de consultores que percebiam essa necessidade, pude fazer algumas intervenções como diretora sócia da Saviani Associados Consultoria e Treinamento. Ministramos diversos cursos, workshops e treinamentos sobre criatividade. Analistas de Sistemas, Analistas de Marketing, Gerentes de Venda entre tantos outros profissionais de diferentes áreas passaram por nossas mãos.


Lembro-me que na época das fusões entre os Bancos Nacional, Mercantil, Bamerindus e Banespa a instabilidade no ambiente corporativo era tanta que fomos contratados para aplicar uma intervenção que pudesse trazer mais segurança e conforto aos colaboradores diante de tanta transformação.


Também desenvolvemos cursos de Criatividade para Vendedores, Integração de Departamentos, Secretária Criativa, Organização Criativa para Gerentes em empresas como Grupo Safra, Leo Madeiras, Du Pont, Itautec, Formline, Degussa, Matec Matel, Ticket Serviços, Universidade S.Judas Tadeu, CIESP Osasco, entre outras.


Pelos idos de 1987, juntamente com Maria Teresa Botton, psicóloga e consultora de RH, criamos o Acrescente Desenvolvimento de Criatividade mais orientado à área preventiva do que terapêutica. Nossa atuação pretendia proporcionar uma reeducação da espontaneidade e valorizar o processo criativo, transformando a vida no desafio da busca pela própria resposta original, adequada à situação presente.


Apresentamos relatos sobre esse trabalho no 7o . Congresso Brasileiro de Psicodrama no Rio de Janeiro em 1990 e no Congresso de Psicopatologia da Expressão em Belo Horizonte em 1991 onde pudemos demonstrar como o ambiente corporativo pode, e realmente se beneficia, da arteterapia tanto em seu aspecto do terapêutico e quanto psicodramático.


O objetivo sempre foi o de permitir que os participantes descobrissem que seu potencial para criar não ficou perdido na infância, mas que se encontra disponível para ser usado tanto em sua vida profissional, para solução de problemas, para buscar novas alternativas de ação, de organização pessoal, de relações interpessoais, bem como na vida pessoal, familiar e social. É só uma questão de despertá-lo e ter a coragem de usá-lo. Acrescenta-se ainda a criatividade grupal, a inter-relação melhor administrada, tornando a produtividade mais criativa e com mais fluência.


Os resultados do trabalho de criatividade na empresa podem ser sentidos de diversas formas, algumas das quais quantitativamente mensuráveis, sendo que outras qualitativamente mensuráveis. No que diz respeito à produtividade, o efeito se fez sentir nas propostas de melhorias de processos que podem trazer como resultado melhor produtividade, redução de custo, melhoria de qualidade, redução de tempo e de pessoas.


Quanto aos aspectos qualitativos, que podem ser medidos via pesquisas de satisfação e pesquisas de clima, apareceram na possibilidade de o funcionário usar todo seu potencial, toda sua capacidade por se sentir estimulado a isto, e como consequência, ficando mais satisfeito.


Cada pessoa sendo um potencial criativo dentro da empresa, é também uma fonte de soluções, de alternativas, de possibilidades, quando tem consciência disto, quando sabe se estimular para disponibilizar esta habilidade em benefício da empresa e quando conhece as técnicas para fazê-lo.


A criatividade envolve adequação, principalmente quando se trabalha em grupo, equipe e com limites do tipo orçamentos, materiais, prazos, etc. Não aparece só em novos produtos, planejamentos, desenvolvimento de estratégias como também no dia a dia, na busca da melhoria contínua dos processos de trabalho.


O indivíduo treinado e capaz de liberar sua criatividade, tem sem dúvida uma melhor qualificação profissional, podendo contribuir de forma significativa para com qualquer espaço de trabalho onde esteja se desenvolvendo.


As relações interpessoais serão mais favorecidas na medida em que cada um pode lidar melhor com seu coeficiente emocional através do contato que aprende a ter consigo mesmo via o conhecimento de seu potencial criativo, formando nos grupos relações mais empáticas.


Estando mais alinhado com suas capacidades, o indivíduo desperdiça muito menos energia, podendo usar o estresse como uma forma de estímulo para produtividade, aumentando a capacidade energética e não como um desgaste de energia que leva ao cansaço, ou estresse negativo.


Em situações de crise e mudança se a pessoa usa a espontaneidade para lidar com as situações novas que surgem, consegue criar, através da mesma, novas alternativas e soluções para cada momento, e se confia nesta possibilidade, automaticamente vai apresentar uma abertura para novas situações e novos momentos, e uma melhor capacidade de adaptação.


Mudar não é tão fácil; a estabilidade dá segurança e nos leva a permanecer no conhecido, no que Moreno chama de conserva cultural. Entretanto o momento exige movimento de dentro para fora e não técnicas intelectuais impingidas de fora para dentro.


É por esta razão e pelo fato de ter comprovado o poder da Arte na transformação de pessoas, ambientes e empresas que hoje extrapolamos o conceito de criatividade para um olhar mais amplo de introdução da Arteterapia nas empresas.