• Gabriela Evangelista

Comunicação: um santo remédio

E se alguém te falasse que é possível sim diminuir e até eliminar a maioria dos conflitos que povoam nossa rotina diária? Que as relações entre as pessoas podem sim se transformar em conexões saudáveis, produtivas e construtivas? Que a cultura de paz está mais próxima da gente do que você pensa?

Vou arriscar meu palpite: você vai achar que é sonho, utopia, pegadinha ou mais uma propaganda de algum “passo-a-passo-miraculoso” que querem te vender, do tipo: “Dez passos para ser completamente feliz eliminando os problemas da sua vida”. Não é nada disso!

A resposta, mais uma vez, está na belíssima e imperfeita condição humana. Inerente à nossa própria natureza como seres gregários, vamos pelo mundo tecendo uma gigantesca teia de relações. Mesmo que você pertença ao grupo dos tímidos ou mais retraídos, acredite, a sua teia é gigantesca sim! Desde que acorda até que deita, um emaranhado de conexões humanas acontecem. Na base de todas elas , nada mais simples – e, paradoxalmente complexo – do que a comunicação.

É através dela que nos expressamos e devia ser ela o grande fio condutor e construtor dos relacionamentos. Mas o que vemos na prática é bem diferente: no lugar de nos aproximar, ela está nos afastando. Em algum momento – infelizmente uma grande parte dos momentos das nossas vidas – pais, filhos, casais e amigos acabam não se entendendo. Líderes e liderados também não. E o conflito nasce, se espalha, cresce, se multiplica, nos deixando com uma sensação estranha de impotência.

Penso que a resposta, mais uma vez, está dentro de nós, só que para descobri-la será necessário ficar nu. Despir-se da prepotência de achar que o outro “precisa me entender”, “precisa saber o que quero e preciso”, como se cada um de nós fossemos pela vida carregando um aplicativo tradutor de sentimentos, necessidades, crenças e histórias de vida das pessoas com que me relaciono.

Uma comunicação efetiva deve ser franca, clara, precisa. Deve deixar explícito o verdadeiro sentimento que surge e reconhecer a necessidade que existe por trás dele. Deve expressar o que realmente pretende, deseja e quer. Marshall Rosenberg, o pai da Comunicação Não Violenta, resume numa simplicidade extremamente elegante o drama dos relacionamentos humanos: precisamos estar atentos “ao que está vivo dentro de nós”. E a verdadeira comunicação, aquela que conecta, é a que resgata nossa capacidade inata de sermos compassivos.

Mais do que uma comunicação efetiva, defendemos uma comunicação conectiva e afetiva, que nos aproxime, que prefira sempre a construção e que não evite ou se esquive do conflito (porque ele é inevitável), mas que ajude a resolvê-lo.