• Gabriela Evangelista

Saúde mental: o que as empresas têm a ver com isso?



A Organização Mundial da Saúde vem popularizando o conceito mais amplo de saúde, que não apenas o restrito à ausência de doenças, mas aquele que olha para o bem-estar geral do indivíduo e sua qualidade de vida.


Do que exatamente estamos falando então, quando usamos o termo “saúde mental”. Vamos analisar a própria definição utilizada pela OMS:


“É um estado de bem-estar no qual o indivíduo percebe suas próprias habilidades, pode lidar com os estresses cotidianos, pode trabalhar produtivamente e é capaz de contribuir com a sua comunidade”.


Dessa definição, logo de cara, nos chamam a atenção alguns aspectos que destacamos aqui. Em primeiro lugar, o indivíduo precisa ser capaz de “perceber” suas próprias habilidades, quer dizer, precisamos de um estado de consciência, precisamos nos conhecer, descobrir quais são essas habilidades e agirmos com base nelas.

Devemos também, saber “lidar” com o estresse. Desafios diários fazem parte da rotina de todos e, ter saúde mental também passa pela nossa capacidade de administrá-los ou de como somos capazes de reagir perante eles. Aí entra em jogo nossa Inteligência Emocional.

Seguindo nossa análise, para a OMS, faz parte da definição de saúde a produtividade humana e esse é um tema que me interessa especialmente. No meu trabalho tenho defendido um conceito muito claro: todo trabalho é – ou deveria ser - a maneira como manifestamos nossos talentos no mundo. E só podemos alcançar nossos talentos de maneira genuína, quando eles são parte integrada da nossa própria essência. Estamos falando de verdade individual e propósito de vida. Logo, para ter saúde, precisaremos também trabalhar de acordo ao nosso propósito.

E finalmente, mas não menos importante, a definição que apresentamos também nos diz que saúde é ser capaz de contribuir com a comunidade o que significa aceitar a realidade de que não estamos sós, somos gregários e não conseguimos nos desenvolver plenamente a menos que consideremos o outro e as inter-relações que formos capazes de estabelecer com ele.


Se as empresas são, em última instância, uma reunião de pessoas que se encontram num espaço-tempo para produzirem juntas, é mais do que óbvio que a permanência dessas pessoas num nível satisfatório de saúde mental, equilibradas, com um bom estágio de bem-estar, terá que ser uma das prioridades dos profissionais de gestão de pessoas. O desafio do mundo pandêmico aguça esse olhar e deixa tudo muito mais urgente. Será necessário que as organizações adotem uma postura onde, promover os pilares que se encontram contidos nas entrelinhas da definição da OMS, se transforme em estratégia, em inteligência de ação, em atitudes positivas. E o tempo é agora!


Gabriela Evangelista

Publicitária, especialista em Cultura e Desenvolvimento Organizacional, Diretora e Designer Instrucional na Escola Humana de Vida e Negócios.