Felicidade e Liderança

Atualizado: 27 de mai.

Cada vez mais ouvimos falar em felicidade dentro das empresas. Aqui mesmo, na nossa Palavra Humana, já trouxemos algumas vezes o conceito de CHO (Chief Hapiness Officer), um cargo criado recentemente no mundo corporativo para poder cuidar da “felicidade dos colaboradores”.


Muitos ainda franzem a testa ao entrar em contato com esses conceitos. Afinal, ainda carregamos o estigma de uma meritocracia baseada no resultado (principalmente traduzido em materialidade) que vem através do esforço. Mas a realidade é bem clara: somos o país mais ansioso do mundo, segundo o estudo do PLoS One, o quinto em depressão, segundo a Organização Mundial da Saúde e o segundo em burnout, pelos dados levantados pela International Stress Management Association (ISMA – BR). Portanto, olhar para o bem-estar das pessoas que formam a comunidade empresarial e verificar formas de aumentar o nível de satisfação, de alegria e de felicidade mesmo, são e serão cada vez mais prioritários nas estratégias do negócio. E aqui vale a pena até lembrar da definição aristotélica de felicidade, que foca nos talentos que podemos colocar no mundo e o impacto positivo na vida de alguém que isso pode trazer. Qualquer semelhança com o conceito de propósito não é mera coincidência.


Vamos combinar que tudo isso passa longe da positividade tóxica onde se busca felicidade a qualquer custo. Sabemos das nossas necessidades humanas e não concebemos falar ou sequer pensar em felicidade do colaborador sem ter as questões básicas muito bem resolvidas. Mas, se quisermos avançar para outros níveis de engajamento e produtividade, a psicologia positiva mostra claramente a importância de caminharmos para o florescimento. Dois pontos são fundamentais nesta análise: o primeiro deles é que precisamos cada vez mais diminuir as falsas fronteiras que o arcaico sistema capitalista criou entre vida pessoal e vida profissional e admitir que estamos falando de indivíduos e suas vidas, que são únicas, fluídas e dinâmicas. E o outro ponto é que, quando falamos em felicidade do colaborador e em propósito aplicado, não significa que vamos permanecer alegres e motivados o tempo todo, isso seria mais uma falácia. Porém, quando nos encontramos naturalmente engajados porque nosso “por quê” está ativo, cuidado, em ação no mundo, conseguiremos encarar os momentos de desafio ou até mais entediantes que todo trabalho e toda vida apresenta, com mais naturalidade e sem riscos da nossa saúde sofrer algum tipo de ataque (ou seja, fugimos das estatísticas apresentadas no início deste texto).



As culturas das organizações precisarão se transformar para atender esse quesito, adaptar artefatos, revisitar processos e sistemas e, principalmente, eleger a liderança como ponto focal dessa transformação. É uma cultura fincada na Nova Economia, onde o significado da palavra “resultados” ganha outros conceitos que ultrapassam relatórios financeiros positivos e permeia interesses de todos os envolvidos na cadeia. A liderança então entenderá que tudo começa com seu autoconhecimento, porque assim estará criando as condições para entender as necessidades e comportamentos dos integrantes da sua equipe. Saberá assim, que a empatia e o senso de colaboração e cooperação precisam prevalecer em detrimento da competição, que o reconhecimento e a gratidão fazem parte da rotina diária e que nela também deve ser incluída uma agenda positiva. Acima de tudo, essa liderança – que chamamos por aqui de “evolutiva”, porque aposta na evolução da consciência – reconhecerá a importância da criação e manutenção de ambientes que propiciem a troca segura e uma exposição emocional que dê lugar a autenticidade.



Gabriela Evangelista

Publicitária, especialista em Cultura e Desenvolvimento Organizacional, Diretora e Designer Instrucional na Escola Humana de Vida e Negócios.