Criatividade tem a ver com saúde mental?

Muita gente associa criatividade apenas à habilidade de dar forma inusitada às coisas. Mas esse não é o único jeito de fluir criativamente. Criamos quando estamos em nosso fluxo, quando cooperamos com a vida. Seja através da produção de um trabalho inovador ou através de um diálogo significativo, um momento contemplativo, uma pausa necessária. A preparação de uma refeição, a redação de um email assertivo, um sorriso para um estranho na rua... Criar é dar fluxo para a Vida. Nosso estado natural e saudável. Criamos a todo instante, quando fazemos escolhas sobre o que fazer com o nosso recurso mais precioso: nosso tempo.

Quando passeamos pelo tempo sem muita maestria sobre ele, podemos ser engolidos por um processo criativo alheio, sobre o qual não temos autoria alguma. Nossa vitalidade fica a serviço inconsciente da empresa, das mídias, das pessoas à nossa volta, que vêm buscar recursos em nós. Mas, a gente mesmo, corre o risco de despertar um dia, olhando a volta e mal reconhecendo nossa essência em alinhamento com aquilo que criamos para ela.

É importante constatar, portanto, que estamos sempre criando. Mas que nem sempre estamos criando aquilo que gostaríamos e poderíamos.

O processo criativo e a nossa vitalidade passam por três preciosos veículos:


O primeiro deles, é aquele para o qual o mundo se volta no mês de setembro: a mente.

Abstrata para alguns e levemente mapeada para outros, a mente é um espaço misterioso, secreto, intangível, onde muita coisa parece começar. Antes de agir, pensamos. Antes da execução: ideias.

Para criar saúde, é preciso cuidar dos alimentos mentais que cultivamos.

Procuramos nos sintonizar com pessoas, temas e ambientes que conservam nossa mente num ambiente mental favorável ao que desejamos criar? Ou será que nos permitimos ser invadidos e atropelados por conteúdos da mídia comprada, de pessoas que nos estressam?

A prática meditativa, para a sorte das gerações atuais, já deixou de estar exclusivamente associada à religiosidade e começa a se integrar no dia a dia de escolas e empresas para que possamos nos alfabetizar sobre a leitura de nossa própria mente e observar o que pensamos, para que possamos nos lembrar de que temos pensamentos, mas que não somos nossos pensamentos.

E mais: podemos escolher descartar certos pensamentos com a prática e selecionar qual o programa que desejamos em nossa tela mental.

A imaginação e a intuição também são importantes funções mentais que estão intimamente ligadas ao processo criativo saudável e consciente. Elas foram descobertas preciosas em minha formação em facilitação com Psicossíntese e, muito em breve, poderemos praticar essas habilidades, aqui na Escola Humana.

O segundo e terceiro veículos da nossa humanidade estão nos corpos emocional e físico. Embora nosso foco este mês seja falar sobre a saúde mental, é bastante interessante observar o quanto cada um dos 3 corpos está fortemente conectado um com o outro. Se pensamos numa comida deliciosa, salivamos. Memórias ou pressão que nos causem medo, disparam nossa adrenalina, retiram boa parte da irrigação do nosso neocortex e direcionam nosso sangue para pernas e braços, reduzindo nosso potencial mental de encontrar sáidas racionais e, portanto, mais criativas.

Essa é a mente influenciando o corpo.

E no sentido oposto? Quando atuo sobre meu corpo, também os meus pensamentos reagem aos estímulos físicos. A experiência nos aponta que basta assumirmos posturas corporais diferentes para que os pensamentos troquem de canal. Uma pessoa encolhida em posição fetal terá possivelmente pensamentos diferentes do que assumindo uma posição ereta, de peito desimpedido e cabeça erguida.

Assim, é melhor realmente não desprezarmos o efeito que uma alimentação saudável, exercícios físicos e momentos de relaxamento e prazer, como massagem e abraços afetuosos, podem exercer em nossas mentes.

As vias de ida e vinda entre a mente e o corpo emocional funcionam também.

O que sinto, muda o que penso, assim como o que penso, pode mudar o que sinto. É por isso que ao adentrarmos um espaço emocional específico, seja ele de tristeza, introspecção ou de alegria e expansão, tendemos a acessar um mar deles e podem surgir memórias e pensamentos ligados ao sentimento emergente, sem que exista qualquer relação pratica com o momento da vigente.

Ao movimentarmos a mente para uma cena de realização pessoal, por exemplo, nossas emoções entram em ação e criamos imediatamente caminhos neurológicos para a possibilidade desta realização no plano físico, ou no que chamamos de "vida real".

Como se a mente não correspondesse à realidade, muitas pessoas sofreram e sofrem em suas mentes, onde as feridas não mostram sangue, mas doem e espalham infecção em nossas outras dimensões, criando de forma doente, distorcida e perigosa.

Ilustrando e concluindo a triangulação com a conexão entre corpo emocional e corpo físico, observamos eventuais presenças de doenças físicas, que acabam nos dando recados sobre os sentimentos que ainda não terminamos de elaborar dentro do nosso corpo emocional. É como se o corpo físico colaborasse com o processo de cura integral, expressando de maneira densa aquilo que não foi possível incluir em diálogos, expressar através da arte ou fluir dentro do processo de autodesenvolvimento.

Com todos os nossos corpos, mais ou menos conscientemente, estamos em constante processo criativo. Que nossas mentes possam ser campos férteis, onde se semeia a criação dos melhores sonhos e das grandes vitórias. E que as mentes, eventualmente presas a padrões desafiadores, encontrem auxílio amoroso e capacitado para fazer uso criativo dos tantos caminhos existentes para movê-las na direção de sua saúde.


Patrícia Napolitano


Comunicóloga, especializada em Administração de Empresas, Facilitadora de Expressão de Potenciais com Psicossíntese e professora da Escola Humana de Vida e Negócios.

patinapolitano@gmail.com

@patricia.criatividade