• Patrícia Napolitano

Criatividade além do Ego

Atualizado: 1 de abr. de 2021

Desde adolescente eu sonhava em ser dona das boas ideias. Descolei uma visita a uma agência de propaganda aos 15 anos e sonhava em ser como aqueles caras “descolados”, inteligentes e super divertidos que escreviam e desenhavam os comerciais.


Observei, mais tarde, já nos estágios da faculdade, que para aquele artista que cai na armadilha de acreditar que controla a criação, dias de glória e glamour se alternam com dias vazios e depressivos.


A dança da criação tem um pulsar vivo de contração e expansão, movimentos belamente naturais e de fundamental importância. Quando partimos de um lugar interno saudável, acolhemos e integramos tanto aquele pico de produtividade e expressão criativa, aquele turbo no qual tudo flui com rapidez e intensidade, quanto a pausa, o hiato, o momento em que não se vê o resultado, mas, que se sente a pausa fazendo sua magia, recuperando o terreno para que tenha nutrientes para a próxima semeadura.


A partir de um lugar de distorção, no entanto, essa pulsação sagrada e sustentável ganha um peso que alterna o sofrido e o eufórico, apoiado nas dinâmicas do ego, a serviço de si mesmo e suas vaidades.


Quando o sujeito enxerga a criação nascida, se julga o gênio. Quando está em fase de introspecção, por não conseguir ver que faz parte do movimento, se considera bloqueado, inadequado e se estressa para sair da pausa, procurando estímulos para permanecer expandido, que podem chegar a violentar a si mesmo, causando burnouts e vícios.

De rei a mendigo e vice versa. Assim assisti a algumas trajetórias no universo da Criatividade.



Quero abrir essa coluna dizendo que, sim, ver gente criativa ainda me inspira e muito. Porque uma pitada de autoconfiança é imprescindível para sair da caixinha, quebrar as amarras, botar a cabeça para fora da janela e aumentar a gama de recursos para criar.

No entanto, expandir o olhar, além do próprio ego, para iluminar a criação como ponto central pode ser a grande sacada no caminho de elevar nosso processo criativo para um outro patamar.


Assim, iniciamos nossa jornada criativa na Escola Humana com um convite:

um beijo na obra e outro no ombro. Mas não se iluda. O que quer nascer, vinga através de nós e apesar de nós.


Patrícia Napolitano

Comunicóloga, especializada em Administração de Empresas, Facilitadora de Expressão de Potenciais com Psicossíntese e professora da Escola Humana de Vida e Negócios.


patinapolitano@gmail.com

@patricia.criatividade